Sábado, 11 de Julho de 2009

O maior cansaço do mundo. A maior saudade. O melhor lugar para acertar as contas com o passado. Meus sonhos invadidos por você. Um espelho no qual eu não estou do outro lado. Uma outra mulher surge das cinzas. Uma música que diz tudo. Um presságio. Um inferno e uma lua-cheia. Um suspiro à flor da pele.

Domingo, 5 de Julho de 2009


(foto: Helô Bortz)

Campos do Jordão, Festival de Inverno de 2009.
Trabalho, música, um pouco de literatura e muitas bolhas nos pés.
Alma vasculhada, lembranças do meu pai. Muitas.
Ontem, eu assistia o final do Bolero de Ravel e pude vê-lo entre os contrabaixos, tocando sereno como fez tantas vezes ali, naquele mesmo palco, naquele mesmo frio, aqueles mesmos acordes repetitivos.

Não, meu pai nunca me ensinou a tocar nenhum instrumento.
Ele me ensinou a ouvir a música, a entendê-la, a senti-la na alma.

Caralho, como isso foi importante.
E como é importante estar aqui, trabalhando naquilo que amo, pelos que eu amo.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Que coisa é essa que sinto por esse rapaz? Não sei ainda, ele muito menos. Beijo abraço beijo abraço amasso beijo. Então decidimos sermos somente amigos porque não dá certo esse lance de namorar. Beijo abraço beijo abraço puta amasso e então decidimos não tentar decidir mais porra nenhuma. Pode ser?

Me leva no táxi? Sonho com você, como sempre.
Mala pra Campos do Jordão. Frio da porra, trabalho.
Textos, fotos, agito, trabalho, eu produzo de tudo, minha gente.
Menos a minha própria vida.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Mala para Campos do Jordão

Um casaco mega-quente
Todos os cachecóis do meu armário
Luvas e toucas
Livro do Reinaldo Moraes
Livro da Linn Ulmann
I-pod
Muita disposição pra trabalhar e pra ouvir música boa
Um coração partido
E uma vontade imensa de te esquecer para todo o sempre.
Você conheceu alguém ontem.
Eu vou conhecer alguém amanhã.
E o nosso amor vai ficar chupando o dedo perdido num limbo de desencontros e dúvidas.
Como sempre.

Quanticidades

Eu patino sobre o meu inferno astral. Ando sentindo uma plenitude esquisita. Ta tudo mei zuado sim, mas vá lá: a gente sempre se acerta no final da noite. Acho que é assim que deve ser comigo, não dá pra ser muito organizadinho, muito dentro dos padrões. Nunca foi. Mesmo assim queria ficar em paz contigo. Sem discussões no meio da rua, mordidas e choro no telefone. Paz, que nem quando a gente dorme e se encontra no sonho, sabe?

Semaninha pré-festival: trabalho pra caralho. Este ano vou trampar num festival de música clássica, julho inteiro entre as montanhas. Não vou pra FLIP, mas tenho trocado idéias fantásticas com alguns escritores que gosto muito. Nem preciso ir pra FLIP então. Pra mim, mesmo um papo chato sobre literatura pode ser melhor do que um papo legal sobre qualquer outro assunto.

No fim do mês eu faço trinta anos, mas ando tão quântica que me sinto com todas as idades que existem. O tempo é uma balela. O futuro e o passado existem concomitantemente ao presente, é tudo uma questão de ponto de vista. Eu tenho que parar de ler física quântica, viciei nessa porcaria.

Também tenho lido muita prosa e escrito muita poesia. Tenho amado demais, falado demais. Ando excessiva pra caralho. Outro dia me perdi no centro da cidade. Outro dia achei tudo meio desinteressante. Acho que caí em desuso.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Você dorme e eu permaneço
Você releva e eu sonho
Você morde e eu grito
Você transparece e eu escondo
Você parte e eu me calo
Você traga e eu traço
Você me beija e eu passo

Você triste me desconcerta
Você ama e eu desvaneço
Você trai e eu pago o preço
Você entorpece
Eu apago
Você destoa
Eu largo

Nossos olhos bocas secas não enxergam o óbvio.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Pornopopéia



Eu não consegui esperar o dia do lançamento (que é hoje) e comprei ontem o Pornopopéia, do Reinaldo Moraes. Resultado: já estou quase na página 100 e, como uma galera já vem dizendo por aí, é aquele tipo de livro que vc não quer que acabe nunca. Tento ler devagar, degustá-lo, mas é irresistível. Não há muito o que dizer, apesar de achar que o livro é mais do que vem sendo dito por aí. É muito mais do que a espiral de “putaria, bebida e drogas” na qual todo mundo insiste em enquadrar o Reinaldo. O cara constrói uma epopéia genial com um texto dilacerante e, independente da temática, fala dos tempos atuais e é atemporal pra caralho. Como ele faz isso eu não sei, mas esses caras tem a manha, fazer o quê? Tá, ler todos eles até o fim, é isso que eu faço. Hoje eu vou lá pegar uma dedicatória do cara.


Por falar nisso, ótima resenha do meu amigo Mirisola sobre o livro do Chico Buarque.
oglobo.globo.com/blogs/prosa/

Pra começar bem a semana.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Antes de você eu pensava que era simples
Eu achava que o amor era uma flecha, uma certeza
Um verso escrito numa estrela

Antes de te amar eu achava que pra tudo tinha um jeito
Uma brecha, um conserto, um recomeço
Uma tristeza do avesso

Antes de você eu debochava do eterno
Eu relaxava no incerto
Eu pagava o preço do inverno

Hoje os meus olhos são nuvens
Minhas mãos constroem valas e desenganos
E eu me acabo num tropeço lento

Vôo, fujo, desapareço.
Me afogo em espasmos de pensamentos
Volto, amo, estremeço.
E assumo
Que só em ti me reconheço.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Ei!

A minha amiga Tatiana Rocha compôs uma música baseada em um poema que eu escrevi aqui no blog ("pra vc que me esqueceu").

Adorei isso!
A música ficou foda.
Valeu, parceira.

Leiam a letra, ouçam a música!





Ei, pra você que me esqueceu
Não disse que seria fácil, que era só tentar?
Era deletar, era apagar, era alterar
Quem sabe até tirar a ladeira da minha rua

Mas se eu ainda fosse tua eu mandava
Eu mandava, eu mandava ladrilhar

Teu cheiro do meu boteco
Custa a evaporar

Ei, pra vc que me esqueceu
Eu sabia que seria rápido
Que seria ontem
Que seria sempre
Que seria agora
Que seria já
Não futuque
Não me busque
Não abuse
Não batuque no meu paladar
Não me encontre não se esgueire
Não me quebre
Não penetre no meu particular

Não se ache
Porque um dia eu sei
Que vou me achar

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

“Kate Moss destrói notebook do namorado”, eu li hoje no uol.
Putz.

Não importa o sonho. A realidade era o seu cabelo por entre os dedos da minha mão.

Até que eu dei uma de Kate e quebrei teu celular e te joguei nos braços de uma outra qualquer. Que nem a canção do Lupcínio.

Um mar de tensão pré-menstrual (e eu que nunca achei que usaria este atenuante!). Um exército de Natashas e Elenas e Nádias. Eu com ciúme, você dormindo e o mundo em estado de alerta.

E as suas mãos bem longe das minhas.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Estreia



Estreia hoje em circuito nacional o documentário Loki – Arnaldo Baptista. Eu tive a oportunidade de assistir uma sessão fechada do filme por conhecer alguns personagens que fazem parte dele, e me emocionei pra caralho. Os Mutantes foram sem dúvida uma das bandas mais criativas que já surgiram neste país e, apesar de toda esta força vir de um cara incrível à frente do seu tempo chamado Arnaldo Baptista, existia por trás disso um movimento coletivo de artistas e músicos que passavam o tempo todo tocando, criando, com muito talento e alguns estímulos lisérgicos.

Meu pai fez parte deste movimento com estes caras todos e me lembro bem dele contando an passant algumas passagens de como tudo isso influenciou a maneira de pensar de toda uma geração. Lógico, o cenário era outro, o contexto era diferente, mas eu acredito cada vez mais que a criatividade é o grande antídoto contra toda esta burrice congênita dos anos 2000.

Eu não quero consumar de vez meu niilismo pagão, mesmo porque vejo uma brecha de genialidade quando olho em volta: uma galera fazendo um trampo do caralho sim, na música, no teatro, na literatura, no cinema. Nem tudo está perdido. Mesmo assim o documentário não deixa de ser inspirador. Para os que ainda resistem. Assistam.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Pau que nasce torto não endireita
Disse uma vez a minha mãe
Bah.
Ele jura que isso é ditado antigo
Que vai mudar de vez só pra me amar
Mas não sei se quero
Não sei se devo
Talvez eu te ame torto assim
Errado assim
Por mais música do Wando que isso possa parecer

Então o trato é esse
Você vai dormir cedo
Almoçar e jantar todos os dias
Tomar banho
Beber uísque só uma vez por mês
Trabalhar
Usar perfume e camisa nova
Ser gentil e agradável com os meus amigos

Não sei.
Tenho a impressão de que vou transformá-lo num burocrata.
De que vou sugar todo o seu brilho e o que resta da sua fé.
De que vou te amar menos se um dia você se tornar o homem
Que eu sempre quis.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Prestes a te ligar. Disco nove. Um. Quatro. Um. Pra dizer o que? Que estou com saudades daquilo que eu era quando estávamos juntos. Caralho. Eu não posso falar isso. Eu enlouqueci quando estava com esse cara. Que tenho saudades de corrigir seus textos, de dar risada, de ouvir rock, de beber Jack e falar de poesia. Ele vai me mandar à merda. Certeza. Ontem eu disse pro meu filho que saudade era uma coisa boa. Que era uma vontade enorme de sentir de novo alguma felicidade já vivida.

Não sei se disse a verdade. Não quero mais sentir essa saudade.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Pra você que me esqueceu

Ei, pra você que me esqueceu
Não disse que seria fácil?
Que era só tentar?
Não disse que era só apagar meu telefone do teu?
Que era só deletar o endereço do meu blog?
A ladeira da minha rua?
A esquina do meu boteco?

Ei, pra você que me esqueceu
Eu sabia que seria rápido
Que seria ontem
Que seria para sempre
Eu tinha certeza, porra

Pra você que me esqueceu
Só não canse de esquecer
Não me busque, não me encontre
Não se ache
Porque eu ainda não te esqueci
Completamente